A 10 de janeiro passaram-se três meses desde a assinatura do farsante acordo de paz patrocinado pelo imperialismo ocidental. Como então afirmámos, a limpeza étnica e o extermínio não terminaram; pelo contrário, os planos sionistas para anexar Gaza e a Cisjordânia estão ao rubro, com a cumplicidade e o silêncio de todos os governos capitalistas.

A situação é extremamente grave, sobretudo nos ​​campos de refugiados improvisados em Gaza, que surgiram em escolas, acampamentos e edifícios degradados, nos quais estão amontoados centenas de milhares de palestinianos. De acordo com a UNRWA, a densidade populacional é tão elevada que o espaço habitacional médio está limitado a 0,5 metros quadrados, muito abaixo dos 3,5 metros quadrados considerados o padrão humanitário mínimo, e o Centro de Informação Israelita para os Direitos Humanos nos Territórios Ocupados informa que 90% dos habitantes de Gaza perderam as suas casas.

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Após três meses desde a assinatura do farsante acordo de paz a limpeza étnica e o extermínio continuam e os planos sionistas para anexar Gaza e a Cisjordânia avançam com a conivência de todos os governos capitalistas.

O processo de paz fraudulento consagra a limpeza étnica e o genocídio.

A passagem da tempestade tropical Byron, em dezembro, agravou a catástrofe humanitária provocada pelo bloqueio criminoso de Israel. Chuvas torrenciais provocaram a morte a 40 pessoas e deixaram 13.000 desalojadas, atingindo uma região onde 900.000 pessoas vivem em tendas e, segundo a ONU, onde são necessárias mais 300.000 tendas. O Estado sionista proíbe a entrada de quase toda a ajuda humanitária e mantimentos necessários para sobreviver ao inverno, como tendas e geradores, utilizando pretextos como a possibilidade de o Hamas os utilizar. Ao mesmo tempo, criaram um sistema que permite aos comerciantes levar estes artigos básicos de sobrevivência para Gaza e especular sobre os seus preços, que podem chegar aos 1.000 dólares.

Para os sionistas que governam Israel, sufocar a população de Gaza não é suficiente. O governo de Netanyahu anunciou que vai proibir 37 ONGs de operar em Gaza e na Cisjordânia, utilizando uma nova lei que proíbe as ONGs que, entre outras coisas, “negam a existência do Estado de Israel como um Estado judaico ou democrático” ou “apoiam a luta armada de um Estado inimigo ou organização terrorista contra o Estado de Israel”. A lista inclui os Médicos Sem Fronteiras, a Oxfam e a ActionAid, que dificilmente são suspeitas de representar uma ameaça para Israel. A fome irá agravar-se.

De acordo com um relatório da ONU de dezembro, “77% da população de Gaza enfrenta uma insegurança alimentar aguda e estima-se que quase 101.000 crianças entre os seis meses e os cinco anos de idade sofrerão de subnutrição aguda até outubro de 2026”.

Gaza tornou-se uma paisagem lunar repleta de escombros e poeira. O seu solo está coberto por 61 milhões de toneladas de resíduos e 100.000 toneladas de explosivos. Toda a camada superficial fértil do solo foi devastada e substituída por resíduos contaminados: uma catástrofe para a agricultura e a pecuária. A indústria pesqueira perdeu 95% das suas embarcações e o ar está extremamente poluído devido à destruição de edifícios, aos incêndios, às explosões e à formação descontrolada de lixeiras improvisadas. O Programa das Nações Unidas para o Ambiente refere que o nível extremamente elevado de poluição alterou a composição atmosférica das áreas afetadas.

Desde o “cessar-fogo”, 425 pessoas foram mortas pelo exército sionista e 1.206 ficaram feridas. Embora as autoridades de Gaza estimem mais de 71.400 vítimas da ofensiva militar israelita, vários estudos indicam que, em dois anos de genocídio, a população diminuiu em 254.000 pessoas, mais de 10%, incluindo os mortos pelo fogo israelita, os deslocados internos e os que morreram devido à deterioração das condições de vida e à fome generalizada.

As tropas israelitas não só não retiraram, como estipulado no plano de paz, como reduziram a Faixa de Gaza a 42% do seu território, controlando os restantes 58%, demarcados por uma “linha amarela” que os habitantes de Gaza estão proibidos de atravessar sob pena de execução. Numerosos testemunhos descrevem civis a serem mortos enquanto procuravam comida ou regressavam a casa.

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O movimento de massas, a luta da classe trabalhadora e da juventude, foi a única coisa que se opôs às forças genocidas. Precisamos de nos organizar contra o militarismo e o imperialismo, construindo uma alternativa revolucionária.

O apartheid na Cisjordânia intensifica-se.

Em outubro, o Knesset, parlamento israelita, aprovou a proposta de anexação dos territórios ocupados da Cisjordânia, reconhecendo oficialmente uma crua realidade: o Estado sionista continua a expandir os colonatos, declarados ilegais pelo Tribunal Internacional de Justiça, semeando o terror entre a população palestiniana através de bandos fascistas de colonos e das próprias Forças de Defesa de Israel (IDF). Como exemplo, a 6 de janeiro o exército sionista abriu fogo sobre dezenas de estudantes pelo “crime” de assistirem a uma projeção do documentário Hind Rajam numa universidade em Ramallah, fazendo onze feridos.

Segundo a ONU, entre janeiro de 2017 e setembro de 2025, as IDF e os colonos mataram 1.500 pessoas, mas houve apenas 112 investigações e uma condenação. A ONU afirma ainda que “o sistema de justiça militar aplicado aos palestinianos oferece pouca ou nenhuma proteção aos seus direitos humanos em comparação com a lei civil israelita”. Na prática, existe um regime de apartheid que garante a impunidade dos colonos, discriminando e negando direitos básicos à população palestiniana.

Esta violência implacável é acompanhada pela expansão dos colonatos ilegais. Recentemente, o Gabinete de Segurança israelita aprovou 19 novos locais para “impedir o estabelecimento de um Estado palestiniano” e lançou o plano E1: 3.401 casas para colonos sionistas, que, como denuncia a ONG Paz Agora, dividirá a Cisjordânia ocupada em duas e isolará Jerusalém Oriental. Seguindo a linha estabelecida pelo ministro das Finanças fascista, Bezalel Smotrich: “O Estado palestiniano está a ser apagado da mesa das negociações não com slogans, mas com ações. Cada colonato, cada bairro, cada casa é mais um prego no caixão desta ideia perigosa.”

O sionismo genocida tem mantido os seus planos com o apoio entusiasta de Washington. Netanyahu e Trump estão determinados a semear o terror e a ameaçar os povos do mundo. As eleições serão realizadas em Israel em 2026, e a estratégia do Likud, o partido de Netanyahu, é declarar-se o representante de Trump em Israel. O nazissionismo é a expressão mais completa e brutal do trumpismo, o neofascismo do século XXI.

O fim do genocídio e a libertação da Palestina não virão de apelos da social-democracia para confiar na ONU e noutras instituições capitalistas. Nem da China e da Rússia, potências imperialistas que defendem apenas os seus interesses económicos e imperialistas.

O movimento de massas, a luta da classe trabalhadora e da juventude, que abalou o mundo, foi a única coisa que se opôs às forças genocidas: as manifestações na Europa, incluindo as greves gerais em Itália, as mobilizações em massa nos Estados Unidos, em Marrocos e noutros países árabes, na América Latina… Hoje, é mais necessário do que nunca organizarmo-nos contra o militarismo e o imperialismo, construindo uma alternativa combativa que varra o capitalismo e inicie a transformação socialista da sociedade.