No passado dia 18 de Setembro, depois de semanas de intensa mobilização nas ruas de Gijón (Astúrias), de recolha de milhares de assinaturas, de infinitas demonstrações de solidariedade com a vítima e a sua família, o movimento feminista, nós, os jovens e as jovens, trabalhadoras e trabalhadores que enchemos as ruas e fizemos ouvir a nossa voz exigindo Justiça para a Paz, alcançámos uma grande vitória. Depois de quatro dias de julgamento, de um autêntico martírio para a família da Paz — também vítimas deste terrível assassinato — o júri popular emitia um veredicto demolidor, determinando por unanimidade que a morte de Paz foi um assassinato cometido de forma “deliberada, consciente e intencional, eliminando toda a possibilidade de defesa da sua vítima”.

Finalmente a 30 de setembro o juiz ditava a sentença: 24 anos de prisão e 10 anos de liberdade condicional.

Demonstrando o absoluto desprezo pela vítima e pela sua família, o assassino recorreu desta sentença arrancada pela luta contra a justiça patriarcal. No dia 2 de fevereiro tiveram lugar os procedimentos orais para o dito recurso. O advogado do assassino planeia novamente que o crime contra a Paz não tenha sido um assassinato [homicídio premeditado] e se condene por homicídio [sem premeditação].

Na Libres y Combativas (Estado espanhol) dizemos bem alto e claro que não vamos permitir que nenhum assassino, amparando-se nas ferramentas de que a justiça patriarcal dispõe, questione esta grande vitória que conseguimos e continue a torturar as suas vítimas.

Com a mobilização impusemos esta sentença e com a mobilização vamos defendê-la

O caminho para conseguir esta vitória contundente não foi fácil. Enfrentamos não só um assassino machista, como também um aparelho judicial que desde o primeiro momento deixou clara a sua posição: a acusação negava-se a qualificar o ocorrido como um assassinato machista, pedindo que se julgasse por um delito inferior, o de homicídio, com uma pena máxima de 15 anos de prisão, apesar de reconhecer as agravantes de abuso de poder e de ódio de género.

Durante os quatro dias do julgamento, a família de Paz atravessou um autêntico calvário, revivendo momentos dolorosos, cara a cara com o assassino, sem poder ser acompanhada, sendo lhe negada até um biombo de separação, sofrendo em cada sessão a crueldade que esta justiça patriarcal reserva para quem se defende e denuncia a violência machista nos tribunais.

Mas a determinação da família, o apoio massivo e as demonstrações de solidariedade impuseram-se. A campanha "Justiça para Paz" mobilizou milhares de pessoas em condições de pandemia muito adversas, e depois de muito esforço e tanto sofrimento, finalmente obtivemos uma mais que merecida vitória. O impacto da mobilização foi tal que uma vez ditado o contundente veredicto do jurado popular, a acusação, que até 24 horas antes havia negado reconhecer o assassinato, mudava a sua petição de 15 a 21 anos de prisão, a advocacia do Estado [equivalente ao Ministério Público] fazia o mesmo e o advogado de defesa do assassino, que até ao dia anterior defendia a sua absolvição, pedia a pena mínima para este delito, 20 anos.

Agora o assassino e o seu advogado desdizem-se e tratam de escapar a esta sentença arrancada com unhas e dentes, muito esforço e muita dor. O objetivo está claro, modificar a qualificação do crime de assassinato para homicídio e baixar assim a condenação deste crime infame. Tanto as acusações particulares como a acusação e a advocacia do Estado impugnaram este recurso criminoso e pedem a confirmação da sentença. No dia 2 de fevereiro teve lugar o recurso, a família teve de reviver outra vez toda a dor, e tudo porque um assassino já condenado assim o decidiu e porque o sistema judicial machista e patriarcal assim o permite.

Confirmação e execução da sentença por assassinato. Basta de ataques às vítimas

Na Libres y Combativas, somos plenamente conscientes de que por trás da vitória que conseguimos está a mobilização, a pressão pública, o apoio e a solidariedade das milhares de pessoas que participaram nas ações da campanha "Justiça para Paz". Apenas podemos confiar nas nossas próprias forças, esse é o caminho para defender esta sentença que estabelece jurisprudência e abre um precedente muito importante para evitar novos casos de assassinatos e violência machista. Uma sentença que é património do movimento contra a opressão das mulheres humildes e trabalhadoras como a Paz, e como tal vamos defendê-la.

Por isso, na terça-feira, dia 2 de fevereiro, com máscara e respeitando todas as medidas de segurança, concentrámo-nos em frente ao Palácio de Valdecarzana em Oviedo, onde teve lugar o procedimento de recurso, para acompanhar e apoiar a família da Paz, e para deixar claro que não vamos parar até que se confirme e execute a sentença por assassinato.

Para expressar todo o nosso apoio e solidariedade para com a família da Paz, para pedir o fim do calvário desta e de todas as famílias e vítimas da violência machista e pela confirmação e execução da sentença, lançamos novamente uma campanha de recolha de assinaturas e envio de resoluções ao Tribunal Superior de Justiça das Astúrias.

Já basta de atacar esta família e já basta também de permitir ao assassino condenado regozijar-se na dor das suas vítimas. Basta de violência machista e justiça patriarcal. Justiça para a Paz!

Assina aqui a resolução de apoio

Sindicato de Estudantes

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