«O Dia da Mulher ou Dia da Mulher Trabalhadora é um dia de solidariedade internacional, e um dia para rever a força e organização das mulheres trabalhadoras. Mas este não é um dia especial apenas para as mulheres. O dia 8 de Março é um dia histórico e memorável para os trabalhadores e camponeses, para todos os trabalhadores russos e para os trabalhadores de todo o mundo. Em 1917, neste dia, a grande Revolução de Fevereiro rebentou. Foram as mulheres trabalhadoras de São Petersburgo que começaram esta revolução; foram elas quem primeiramente decidiu levantar a bandeira da oposição ao Czar e seus associados. Por este motivo, o dia da mulher trabalhadora é para nós uma dupla celebração.»

- Alexandra Kollontai, “Dia Internacional da Mulher”, 1920

O período histórico que vivemos é marcado pelo fim de qualquer perspectiva de estabilidade social sob este sistema. É claro o encerramento da fase de refluxo do movimento operário que se deu após a queda da União Soviética: atravessamos hoje um período de ascenso da luta de classes, de revolução e contra-revolução. Neste contexto, a luta da mulher trabalhadora, parte essencial de todo o movimento operário, surge com uma força extraordinária, na linha da frente de todos os processos revolucionários que percorrem todo o mundo. Com os movimentos feministas na América Latina do Ni Una Menos, as manifestações internacionais contra o Trump e a extrema-direita, as greves contra o assédio laboral em grandes empresas como a Google ou McDonald's, este movimento adquire cada vez mais um caráter internacionalista e de classe, culminando na organização de uma greve internacional no Dia Internacional da Mulher Trabalhadora.

Recuperando uma data histórica do movimento operário, as greves e manifestações do dia 8 de Março têm crescido cada vez mais e tido resultados estrondosos — como na greve geral no Estado espanhol, convocada mesmo contra a vontade das direcções das grandes centrais sindicais.

No seio deste movimento dá-se o choque entre a política pequeno-burguesa e a política revolucionária. As feministas pequeno-burguesas procuram transformar a greve em algo simbólico, sem significado ou impacto algum. Actuam como um bloqueio, tanto para o contacto com o restante movimento operário como para a adesão massiva das mulheres trabalhadoras à greve e à sua organização. É preciso travar uma batalha política neste movimento pela defesa de um feminismo de classe que defenda a greve geral e restantes método de luta da classe trabalhadora como as únicas formas eficazes de combater a violência machista e conquistar vitórias reais para as mulheres trabalhadoras e pobres.

O patriarcado está no ADN do capitalismo

A violência machista é um importante pilar deste modo de produção, enfraquecendo a classe trabalhadora ao dividi-la em linhas de género, subjugando metade da classe e dificultando a organização das mulheres; e ainda aumentando os lucros dos capitalistas através do rebaixamento geral dos salários.

Com as crises cíclicas do capitalismo, as condições materiais decadentes tornam-se um terreno fértil para a intensificação da violência machista e de ideias reaccionárias. A actual crise torna necessário à burguesia aplicar a austeridade mais brutal contra os trabalhadores em defesa dos seus lucros, o que tem um impacto ainda mais violento na vida das mulheres trabalhadoras. Os cortes nos serviços públicos fazem aumentar o peso do trabalho doméstico sobre os nossos ombros. O aumento da precariedade, a crise da habitação e os baixos salários condenam-nos a uma vida de insegurança, a depender economicamente de parceiros e familiares e a estar sujeitas a todos os tipos de violência. Tudo isto coloca milhares de nós sob as mais brutais formas de violência machista, como a prostituição.

É igualmente esta situação de total degradação do sistema que alimenta o crescimento de uma extrema-direita que promove todo tipo de ataques contra os direitos das mulheres. O avanço de um sector da burguesia que, perante a crise e a resposta combativa dos oprimidos, pressente que a única via para a sua sobrevivência enquanto classe é acabar com a “democracia” burguesa e passar a uma ditadura nua do capital, que persiga e esmague as organizações da nossa classe, todas as nossas conquistas e as nossas próprias vidas.

Ao contrário do que defendem as ideias liberais de que progressivamente a desigualdade irá sendo reduzida, o capitalismo tende para a intensificação da miséria e da violência contra a grande maioria das mulheres, e coloca em perigo todas e cada umas das nossas conquistas. O crescimento que temos visto dos casos de femicídio em Portugal é clara evidência disto.

É preciso construir a greve geral feminista!

É compreendendo que este sistema económico é o que sustenta o machismo, que defendemos a greve geral laboral e estudantil como método de luta feminista. Só o ataque directo a este sistema e à classe dominante — aos seus lucros —, com a mobilização massiva nas ruas, pode impor um programa feminista de classe com as reivindicações que realmente melhoram as condições de vida das mulheres trabalhadoras: nacionalização da banca e dos sectores chave da economia, criação de uma rede pública e gratuita de creches, lavandarias e cantinas, o fim da precariedade e um plano de pleno emprego com redução das horas de trabalho, salários que permitam uma vida digna, expropriação dos grandes fundos imobiliários e execução de um plano de habitação pública, etc.

A organização de uma greve geral no dia 8 de Março implica a acção das mulheres trabalhadoras nas organizações da sua classe, fortalecendo estas organizações e estas mulheres frente aos ataques do patronato. Implica a construção da unidade da classe trabalhadora contra um sistema de miséria e contra as suas manobras ideológicas de divisão, levando o feminismo aos nossos irmãos de classe através da luta concreta contra o explorador comum. Uma greve geral no 8 de Março demonstraria a unidade do movimento feminista de massas com o movimento operário. 

Por fim, acções como uma greve geral — se forem organizadas com a participação activa e directa dos trabalhadores e não simplesmente convocadas e controladas burocraticamente — preparam a nossa vitória definitiva, mostram a toda a classe o poder que tem para derrubar este sistema de exploração e criar uma sociedade socialista, capaz de eliminar definitivamente o machismo e todas as formas de opressão.

É preciso construir o movimento feminista de classe em todos os bairros, locais de trabalho, escolas e faculdades! Pelo fim de todas as formas de violência machista: as nossas armas são a paragem da produção e a luta de massas nas ruas!

«A libertação dos trabalhadores só pode ser o trabalho da própria classe operária, que não pode nunca conquistar essa gigante e terrível tarefa da história se estiver dividida em duas metades pela distinção de sexo. Assim como o homem e a mulher do proletariado são unidos de corpo e alma na sua esmagadora vida de miséria, devem eles então unir-se também no ódio ardente ao capitalismo com uma mais confiante, mais ousada determinação na luta pela Revolução. O Dia Internacional das Mulheres Comunistas não deve permanecer uma manifestação apenas de mulheres em país ou cidade alguma.»

- Clara Zetkin, “Dia Internacional da Mulher Comunista”, 1922

Sindicato de Estudantes

Sindicato de Estudantes

Os cookies facilitam o fornecimento dos nossos serviços. Ao usares estes serviços, estás a permitir-nos usar cookies.