Tentaram convencer-nos de que o machismo ia gradualmente desaparecer, de que a sociedade estava a "progredir", que cada nova geração de mulheres viveria melhor do que a anterior. Mas já está muito claro que o capitalismo não funciona assim, não garante nenhum "progresso" gradual rumo a uma sociedade mais justa.

Contra todas essas teorias de “progresso capitalista”, o que vemos são crises cíclicas e, a cada nova crise, um aumento da violência machista, um ressurgimento das ideias mais reacionárias e misóginas — com a extrema-direita a crescer na Europa e no mundo, com um discurso machista e LGBTIfóbico.

A atual crise económica e sanitária está a ser uma brutal demonstração do que o capitalismo tem para nos oferecer. As agressões multiplicaram-se numa situação em que muitas de nós se viram confinadas com os seus agressores durante a pandemia — só no ano de 2020, a APAV recebeu 8.000 denúncias de violência doméstica. Segundo dados preliminares publicados pelo Observatório de Mulheres Assassinadas, em 2021 houve 23 femicídios, 20 dos quais em contexto de relações de intimidade ou familiares, e 50 tentativas de assassinato de mulheres em Portugal.

A esta violência assassina junta-se a violência sexual. Mesmo com os confinamentos, houve registo de 315 violações em 2020, segundo a PJ. E neste número não estão incluídas as incontáveis violações e abusos em contexto de relações de namoro e no casamento, nem as violações na indústria da prostituição que continua a crescer, aproveitando-se da pobreza e do desespero de dezenas de milhares de meninas e mulheres.

Por fim, há a violência no trabalho e na vida familiar e quotidiana. Hoje, em Portugal, um terço das mulheres trabalhadoras recebem o salário mínimo e há uma desigualdade salarial de 20% entre os géneros, ou seja, maior do que aquela que existia há uma década. Ser mulher da classe trabalhadora é ser ainda mais explorada do que os homens e sofrer assédio sexual e todo o tipo de insultos e humilhações no trabalho. Depois da extenuante jornada laboral para o patrão, chegando a casa, espera-nos uma segunda jornada laboral de tarefas domésticas e cuidado das crianças, dos idosos e doentes — tanto mais intensa quanto mais degradados estão o SNS e restantes serviços públicos.

Esta é a realidade em capitalismo, isto é o “normal” num sistema assente em exploração e opressão que tem como única lei inviolável o lucro. As melhorias das nossas condições de vida, os direitos que ganhámos, jamais foram resultado do funcionamento deste sistema ou ofertas de governos progressistas e amigos das mulheres trabalhadoras. Não. Tudo o que temos foi resultado da luta da nossa classe! E hoje, quando somos atacadas cada vez mais ferozmente pelos nossos exploradores e pela extrema-direita, é a luta a única forma de impedir que nos tirem os direitos conquistados durante gerações.

É por isto que marchamos no dia 8 de Março, o Dia Internacional da Mulher Trabalhadora. Este protesto é um passo importante na nossa mobilização e organização para lutar:

Por igualdade salarial, pleno emprego, o fim da precariedade e um salário mínimo de 1.200 euros, de maneira a podermos livrar-nos da dependência económica dos nossos agressores.

Por uma rede pública e gratuita de creches, cantinas e lavandarias que nos livre do fardo do trabalho doméstico.

Por um SNS verdadeiramente universal e gratuito que nos dê, a nós e às nossas famílias, cuidados de saúde com qualidade e acesso a planeamento familiar, a métodos de contraceção e ao aborto.

Pela extensão do direito ao aborto até às 24 semanas.

Por um sistema de educação universal, gratuito, público e sob o controlo democrático de trabalhadores e estudantes.

Por educação sexual inclusiva nas escolas e uma educação livre de ideias machistas, LGBTIfóbicas e racistas.

Por uma rede gratuita e pública de abrigos para vítimas de violência doméstica, de género e LGBTIfóbica.

Pelo derrube do capitalismo e pela construção de uma sociedade livre de exploração e opressão, uma sociedade socialista.

Junta-te a nós nesta luta! Junta-te à Livres e Combativas! Junta-te ao feminismo socialista e revolucionário!

JORNAL DA ESQUERDA REVOLUCIONÁRIA

Sindicato de Estudantes

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