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Os planos da direita, das grandes multinacionais e dos dirigentes do Partido Democrata em Seattle fracassaram. A classe dominante da cidade organizou uma campanha antidemocrática, racista e machista para forçar a destituição de Kshama Sawant da Câmara Municipal e não o conseguiram. Uma enorme vitória para o conjunto da classe trabalhadora estado-unidense!

A partir da Esquerda Revolucionária Internacional queremos, em primeiro lugar, felicitar a camarada Kshama Sawant, que manterá a sua posição como vereadora da esquerda combativa em Seattle. E, em segundo lugar, felicitar a Socialist Alternative, os jovens, trabalhadores e ativistas pelo direito à habitação, pela abnegada e exemplar campanha que realizaram durante semanas. Mais de 1.500 voluntários que, dia após dia, percorreram os distritos, conseguindo o apoio económico de 11.500 pessoas e recolhendo para esta campanha de apoio o incrível montante de 1.010.000 dólares!

Aqueles que planearam a Recall Campaign — desde a Amazon aos grandes magnatas trumpistas, passando pelo Seattle Times — contavam com que a queda da participação nestas eleições conseguisse afastar Kshama da sua posição. No entanto não o conseguiram nem sequer colocando a votação entre o dia de Ação de Graças e o Natal. O voto a favor de Kshama impôs-se, e nos distritos mais operários, onde habitam mais trabalhadores negros e latinos, conseguiu ganhar com maiorias avassaladoras de 70% e 80%.

O que aconteceu em Seattle deixou-nos grandes lições. A primeira é que, nesta época de revolução e contrarrevolução, os capitalistas e os seus representantes utilizaram todos os meios ao seu alcance para tentar destruir e desautorizar os dirigentes da esquerda combativa que levantam uma alternativa anticapitalista frente às políticas de austeridade e que são vistos com enorme simpatia pelo conjunto das e dos trabalhadores e oprimidos.

Kshama foi reeleita até 3 vezes como vereadora de Seattle, apesar das quantidades imensas de recursos mobilizados pelos magnatas, começando por Bezos, porque se colocou ao lado das vítimas de violência policial racista, encabeçou reivindicações a favor do salário de 15 dólares/hora que culminaram em vitória, posicionou-se ao lado do movimento Black Lives Matter abrindo-lhe as portas da Câmara Municipal, e levou a cabo a campanha Tax Amazon para que esta multinacional pague mais impostos. Aquilo que todos aqueles que se declaram de esquerda que ocupam cargos públicos deveriam fazer!

E a segunda, e mais importante lição, é que sim, pode-se derrotar as multinacionais, a direita e os seus meios de comunicação. É possível, mas apenas baseando-nos na mobilização e na organização, confiando na força da nossa classe e não nos pactos podres no terreno institucional. Como disse a própria Kshama após conhecer os primeiros resultados: “Se uma pequena organização revolucionária pode vencer [...] uma e outra vez, podemos estar certos de que o poder organizado da classe trabalhadora no seu conjunto pode transformar a sociedade”.

Mais uma vez, parabéns.

A luta continua. We won’t back down!

JORNAL DA ESQUERDA REVOLUCIONÁRIA

Sindicato de Estudantes

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