Milhões de jovens e trabalhadores levantam-se contra o capitalismo a uma escala global. Para se ter ideia da magnitude desta onda revolucionária, é útil mencionar alguns países e regiões onde se deram ou dão sublevações de massas ou crises revolucionárias este ano: Argélia, Sudão, Haiti, Honduras, Argentina, Uruguai, Costa Rica, Porto Rico, Panamá, Chile, Equador, Catalunha, França, Iraque, Líbano, Hong-Kong, Caxemira… E em outros tantos países, os movimentos feminista e ecologista enchem as ruas das cidades.

O capitalismo está neste momento a atravessar uma das maiores convulsões políticas da sua história, e prestes a entrar naquela que será, ao que tudo indica, igualmente a maior crise cíclica até hoje. Vivemos um período de revolução e contra-revolução.

A burguesia sofre derrotas!

Os elos mais fracos da cadeia capitalista são os que ameaçam quebrar-se primeiro. As crises revolucionárias dão-se em grande parte no mundo neocolonial, onde o capital imperialista explora trabalhadores e camponeses sem tantos empecilhos democráticos como aqueles que tenta dissolver também nos seus países de origem. Foi assim no Sudão, onde um regime de décadas caiu em semanas.

No Equador, no espaço de 12 dias, o poder da burguesia esfumou-se. O presidente, Lenin Moreno, viu-se obrigado a deslocar o governo da capital, Quito, para Guayaquil. As manifestações terminaram com uma clara derrota do governo equatoriano — ou seja, do FMI e do capital imperialista —, ainda que a vitória dos trabalhadores e camponeses tenha sido reduzida ao mínimo pela política equivocada de pactos e conciliação seguida pela direcção do movimento. Foi possível tomar o poder!

No Chile, à data da escrita deste editorial, Sebastián Piñera está em risco de cair mesmo após a demissão de todo o governo, a reversão da subida do preço dos transportes e a promessa de um “programa social” que deve incluir a subida do salário mínimo e pequenas medidas paliativas. E o mesmo sucede no Líbano, onde o primeiro-ministro, Saad Hariri, se demitiu sem que isso impedisse um redobrar do entusiasmo e da combatividade das massas que exigem não só melhorias substanciais nas suas condições, senão um sistema económico ao serviço das necessidades humanas.

E em todos estes países, o terrorismo de Estado é monstruoso. Tanto no Equador como no Chile — onde o presidente declarou “guerra” ao povo —, manifestantes enfrentaram munição real e até mesmo granadas de fragmentação. Isto é apenas um passo além daquilo que vemos nos países “desenvolvidos”, como em França e na Catalunha, onde as bastonadas e pontapés se viram acompanhar de balas de borracha e granadas atordoantes, causando olhos estourados e membros amputados, ou até de atropelamentos intencionais com carrinhas da polícia. No Iraque, como no Sudão, reprime-se protestos com rajadas de metralhadora… e o movimento mantém-se firme!

Esta violência pôs a nu o carácter de classe de todos estes Estados. Milhões de explorados e oprimidos, pela experiência da luta, avançam cada vez mais rapidamente para as necessárias conclusões. E tudo isto apenas meses depois de toda a esquerda reformista declarar que se verificava uma viragem à direita, que a correlação de forças era desfavorável à classe trabalhadora, que a consciência das massas estava atrasada. Tal como a burguesia, esses “quadros” e “dirigentes” reformistas foram surpreendidos pela onda revolucionária. Ao procurar ver e fazer ver nesta rebelião uma simples defesa da “democracia” em abstracto — que é sempre, na sociedade burguesa, a democracia ao serviço dos capitalistas — e ao cingir as suas reivindicações ao quadro dos regimes em vigor ou, quanto muito, ao apelo a novas constituições, os dirigentes reformistas só revelam a sua falência política absoluta. O que se exige nas ruas de todos estes países é impossível sob capitalismo, mas é perfeitamente possível de conseguir.

Porque está claro, de uma vez por todas, que a real correlação de forças entre as classes é favorável aos explorados agora. A burguesia, em todos estes países, sucumbe ao pânico e à desmoralização, vê-se incapaz de vencer pela sua própria força, incapaz de recuperar o equilíbrio e restabelecer a normalidade do processo de acumulação capitalista — ficando dependente, aliás, como no Equador, da estreiteza de visão e da cobardia dos dirigentes reformistas. Mas a chegada da crise, neste contexto, significará uma intensificação ainda mais acelerada da luta de classes, uma situação que as burocracias do movimento operário e da esquerda que existem não têm condições de conter. É para isto que devemos preparar-nos também em Portugal.

É urgente construir uma esquerda combativa e revolucionária!

Em Portugal, a juventude e a classe trabalhadora avançam com um movimento feminista crescentemente radicalizado, com um massivo movimento contra as alterações climáticas, com uma gigantesca, ainda que desarticulada, onda de greves. As crises revolucionárias por todo o globo só poderão acelerar e enriquecer estes processos.

A chegada da crise capitalista, por outro lado, será o início de uma brutal ofensiva da burguesia contra os trabalhadores e a juventude, tal como aconteceu com a grande recessão de 2008. O choque entre as classes vai ser tremendo, mas não nos falta a força de que precisamos para vencer aqui e no mundo! O que nos falta é uma direcção revolucionária.

Abandonar a política de conciliação de classes seguida pelas direcções do BE e do PCP é uma necessidade que se imporá implacavelmente no próximo período. Ao teimar em ser as acompanhantes do PS e, simultaneamente, em alentar o mais boçal sectarismo à esquerda, estas direcções tornam-se não só inúteis, como nocivas — o que ficará muito claro durante esta crise aguda que atravessa o capitalismo. E se estes reformistas julgam que a “democracia” portuguesa será diferente da espanhola ou da francesa quando chegar o momento de reprimir os trabalhadores e a juventude, aguarda-os uma amarga surpresa.

É urgente construir, na luta e pelas bases em todas as organizações da esquerda e do movimento operário, uma frente unida sobre um programa que dê resposta às necessidades dos trabalhadores e da juventude, uma actuação baseada apenas na força da classe trabalhadora, nos métodos da classe trabalhadora e nos fins da classe trabalhadora — que não são nada menos do que o derrube do capitalismo.

O capitalismo é incapaz de resolver um único dos problemas que enfrenta a humanidade, mas nem por isso cairá sozinho. A construção de uma esquerda combativa e de uma direcção revolucionária, em preparação para o enfrentamento que se anuncia, é a tarefa do momento.

Um mundo novo é possível!

Junta-te à Esquerda Revolucionária Internacional!

Junta-te à luta pelo socialismo!

Sindicato de Estudantes

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