Só a mobilização da classe trabalhadora poderá impedir um novo massacre.
Israel e os EUA iniciaram a sua agressão imperialista criminosa contra o Irão e assassinam Ali Khamenei e altos dirigentes do regime fundamentalista de Teerão. A transcendência política desta agressão abre um cenário insólito.
Após semanas de concentração de poderosas forças militares estado-unidenses, incluindo porta-aviões e o equivalente a duas frotas de guerra, o exército sionista de Netanyahu, em coordenação com a Administração Trump, bombardeou numerosos objetivos militares em Teerão e noutras localidades do país, provocando várias centenas de mortes segundo fontes do Crescente Vermelho. Uma parte significativa destas mortes foi resultado do bombardeamento de uma escola primária em Minab, cidade da província de Hormozgan, no sul do Irão, em que mais de 150 pessoas foram chacinadas - a maioria meninas!

O presidente dos EUA afirmou que será uma intervenção “massiva” e apelou ao povo iraniano para que se levante e derrube o regime fundamentalista. Também Benjamin Netanyahu, depois de perpetrar um brutal genocídio contra o povo palestiniano em Gaza, de anexar pelas armas dos colonos fascistas partes fundamentais da Cisjordânia, de ocupar o sul da Síria e bombardear indiscriminadamente o Líbano, proclamou com a arrogância de quem se sente impune que esta operação será “muito mais forte” e que não parará até “eliminar a ameaça existencial que representa” o Irão dos aiatolas.
Trump prometeu a “aniquilação” da Marinha, do programa nuclear e de mísseis do Irão, e uma “morte certa” para todos os membros das Forças Armadas, da Polícia e da Guarda Revolucionária Islâmica que não se rendam. Também reconheceu que esta vasta incursão militar poderá implicar baixas de soldados estado-unidenses.
Em suma, depois de constatarem que a chamada comunidade internacional não mexia um único dedo para impedir esta agressão, que a UE olhou para o lado dando o seu aval, e que a Rússia e a China também não reagiram na véspera do ataque de outra forma que não fosse com os tradicionais apelos diplomáticos à negociação e ao respeito pelas regras do “direito internacional”, Trump e Netanyahu lançaram-se nesta nova aventura militarista para voltar a moldar o mapa do Médio Oriente à medida dos seus interesses.
Depois do ocorrido a 3 de janeiro na Venezuela, do sequestro do presidente Maduro e da imposição de um sistema neocolonial com a colaboração de Delcy Rodríguez e dos militares venezuelanos, Trump considerou que é o momento de desencadear um golpe devastador sobre o Irão. Também especula que a repressão brutal que causou a morte de milhares de pessoas no Irão no mês de janeiro enfraqueceu suficientemente o Governo reacionário dos mulás para precipitar um levantamento interno, um golpe de Estado ou o colapso do regime.

Mas estas suposições comportam um risco evidente. Não é claro que a cúpula fundamentalista não vá lutar com todos os recursos ao seu alcance, nem que a China vá permitir tão facilmente uma mudança de regime que represente um avanço tão poderoso dos EUA num país com o qual estreitou laços económicos e financeiros e que constitui uma fonte de fornecimento de petróleo tão importante. Mas também não é segredo que os movimentos do imperialismo chinês nos últimos meses consistiram em consentir aos EUA golpes de mão em áreas estratégicas para Washington e adotar uma linha de equidistância e permissividade evidente.
As patranhas invocadas por Trump sobre a luta contra o totalitarismo não enganam ninguém. Não se trata de defender a democracia no Irão, a mesma democracia que Trump espezinha todos os dias em solo estado-unidense. Trata-se dos interesses do imperialismo estado-unidense na sua disputa pela hegemonia mundial contra o bloco liderado pela China e pela Rússia, e da determinação da classe dominante dos EUA em golpear com todas as suas forças para não recuar mais no cenário internacional.
Embora ainda seja cedo para ter um quadro completo das operações militares, as informações indicam claramente que o Irão respondeu à agressão com mísseis contra Israel e as bases estado-unidenses no Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Jordânia, Qatar e Arábia Saudita.

Uma guerra da envergadura que Trump e Netanyahu incentivam não tem precedentes, mas é preciso olhar para as coisas com realismo. Depois das experiências catastróficas no Afeganistão e no Iraque, está praticamente descartada a intervenção de soldados estado-unidenses e de Israel em território iraniano. Assim, as ações circunscrever-se-ão a bombardeamentos, obviamente com a intenção de causar o máximo dano às infraestruturas militares e procurando decapitar o regime ao eliminar figuras-chave. Mas se o confronto se intensificar e os dirigentes iranianos responderem com firmeza, incentivados pela China, a agressão dos EUA e de Israel pode precipitar outro tipo de consequências para o imperialismo ocidental.
Por exemplo, o fecho do estreito de Ormuz, com a qual o Irão tem ameaçado e por onde transita 20% do petróleo e do gás liquefeito do mundo, poderá causar um terramoto na economia global. Se o conflito se prolongar no tempo, as mobilizações contra a guerra imperialista também podem multiplicar-se pelo mundo árabe, pelas principais capitais europeias e, naturalmente, dentro dos EUA, onde o questionamento da política trumpista e da sua agenda totalitária encheu as ruas de Minneapolis e de numerosas cidades.
Esta nova e brutal agressão imperialista dos EUA e do seu aliado sionista deve ser condenada e combatida sem reservas. Os comunistas revolucionários não mantêm uma posição neutral; exigimos o fim imediato deste ataque criminoso e as mãos do imperialismo fora do Irão. Todos aqueles que, a partir da esquerda, dão cobertura a esta agressão, invocando o carácter reacionário do regime de Teerão, ajudam os planos imperialistas na região e em todo o mundo.
Acabar com o Estado teocrático é uma tarefa que incumbe às massas iranianas, que nestes anos se levantaram uma e outra vez contra os seus opressores. E esta luta não deve ser conduzida por forças contrarrevolucionárias, como as do Xá Pahlavi, que é uma marioneta de Trump e Netanyahu. A luta contra o fundamentalismo, contra a burguesia iraniana, contra os militares corruptos que ensanguentaram as ruas do país, deve ser travada com uma política revolucionária, socialista e de classe.

O objetivo não é substituir uns carrascos por outros, neste caso afins a Washington e Tel Aviv, mas sim derrubar o capitalismo, em aliança com todos os povos oprimidos da região, e abrir caminho para uma democracia operária e socialista, o que implica confrontar abertamente a intervenção imperialista em curso, denunciar os seus objetivos reacionários e deixar claro o direito legítimo de defesa que o Irão tem.
Esta agressão tenta ser encoberta como uma operação para impedir que Teerão possa obter armas nucleares. E isto é dito por potências nucleares como Israel, que arrasou Gaza com um poder de destruição equivalente ao de várias bombas atómicas, e pelos EUA, campeões da barbárie imperialista e a única nação que utilizou armamento atómico contra população civil.
O direito internacional, como Trump assinalou com a sua transparência habitual e como demonstraram os sionistas ao massacrarem o povo palestiniano, é uma cortina de fumo a favor do imperialismo ocidental. Voltar a apelar ao mesmo, como faz a UE ou a esquerda institucional, é uma completa farsa.
Que Netanyahu, um criminoso de guerra à altura de Hitler e Mussolini, possa agir impunemente e decidir o futuro do Médio Oriente deve-se pura e simplesmente ao facto de responder aos mesmos fins que prosseguem os seus mentores imperialistas ocidentais.
A escalada de intervenções imperialistas e do militarismo, que recorda cada vez mais o que se viveu nos anos 30 após a imposição da ditadura nazi na Alemanha, só poderá ser derrotada com a mobilização revolucionária dos trabalhadores e oprimidos de todo o mundo.
O único instrumento efetivo contra o terrível genocídio em Gaza foi a solidariedade internacionalista, uma rebelião global que se estendeu pelos EUA, Europa, países árabes… e que colocou contra a parede o governo dos EUA e os seus vassalos europeus. Agora, perante esta nova agressão e o perigo de uma guerra regional destrutiva e terrível, que será paga com milhares de mortes e mais miséria pelos trabalhadores e oprimidos, é necessário erguer novamente a bandeira do internacionalismo e impulsionar mobilizações de massas e greves para paralisar a máquina de guerra estadunidense e sionista, bem como a de todos os seus aliados na região.

Uma mobilização internacionalista que explique sem ambiguidade que esta nova e brutal agressão imperialista, assim como a ascensão da extrema-direita belicista, é o modo natural de funcionamento do capitalismo nesta época de decadência, e que só transformaremos a situação em benefício da humanidade erguendo a bandeira da revolução socialista.
Abaixo a guerra imperialista! Socialismo ou barbárie!
Deixamos-vos com o link para a nossa declaração do passado dia 17 de fevereiro, uma análise aprofundada da situação no Irão, do papel da Rússia e da China, e dos objetivos que o imperialismo estado-unidense e o seu aliado sionista prosseguem.
Irão | Entre a repressão selvagem do povo e as ameaças de intervenção imperialista









