As contradições de um sistema reaccionário que sobrevive a si próprio estão a multiplicar-se e as classes dominantes respondem com as mesmas estratégias de outras épocas terríveis. Para assegurar a sua taxa de lucros, esmagam os direitos democráticos mais básicos, promovem brutais programas de rearmamento e guerras imperialistas pelo controlo de mercados e áreas geoestratégicas, e abrem a porta a forças de extrema-direita para dar uma batalha sem quartel contra a classe trabalhadora e a juventude. Que o mundo capitalista está em chamas não é nenhuma exageração.

Quando paramos para pensar no que está a acontecer a nível global, nos EUA, na América Latina, no Médio Oriente e na Europa, e claro, em Portugal, as coisas ficam bastante claras: não vivemos na era da democracia, do progresso harmónico e da equidade social, mas sim numa turbulência permanente de ataques à liberdade de expressão, de organização e de manifestação, de saque e privatização dos serviços públicos, de violência machista e racista, e de operações políticas para impor a agenda autoritária do grande capital.

Trump, Netanyahu, Milei, Kast, Meloni, Farage, Le Pen, Abascal ou Ventura, são os nomes próprios de uma internacional reacionária que atua para salvaguardar os interesses dos grandes monopólios. E esses interesses são os que levaram a cabo o genocídio contra o povo palestino em Gaza, as guerras do imperialismo estado-unidense e do seu aliado sionista contra o Irão e o Líbano, o golpe na Venezuela e o bloqueio criminoso contra o povo cubano.

Este é um lado da realidade, cheio de ameaças e desafios. Mas há outro também, aquele em que surge um novo movimento de massas que se está a desenvolver por todo o mundo, que aprendeu muito com a submissão da social-democrata à oligarquia imperialista, e que tira conclusões do fracasso da esquerda reformista 2.0 e da sua assimilação às instituições.

Uma nova classe trabalhadora que se reconfigura com milhões de jovens precários condenados pelos poderes do sistema a uma vida de exploração e empobrecimento, e que está a protagonizar uma mudança política e sindical profunda.

As mobilizações multitudinárias contra o genocídio palestino que percorreram os cinco continentes, e que puseram em xeque as campanhas sionistas, desnudosando a hipocrisia dos Governos capitalistas, foram estruturadas por esta nova classe trabalhadora que irrompe em cena. Verificámo-lo também nos EUA durante as greves históricas em Minneapolis contra a brutalidade racista e neonazi do ICE, ou nas manifestações massivas contra a Administração Trump. Muitas sondagens apontam para uma transformação profunda no panorama ideológico, com um apoio de mais de 60% à ideia de socialismo entre a juventude estado-unidense.

Os cenários desta rebelião são numerosos e em todos os continentes. A sublevação operária e camponesa na Bolívia, com claros elementos insurreccionais, ou o avanço da esquerda que se reclama revolucionária na Argentina, e que está a provocar um terramoto político num país chave do continente latino-americano. As mobilizações juvenis contra as tentativas de restaurar o serviço militar obrigatório na Alemanha, as greves gerais em Itália, em Portugal, na Bélgica, ou a recente manifestação de mais de meio milhão de pessoas contra a extrema-direita em Londres, abundam nesta ideia. A luta de classes endurece-se num contexto de enorme polarização.

Que política propomos nós, comunistas, para construir uma frente única de classe e enfrentar a ameaça fascista? Que programa e que táticas precisamos para alargar a base da esquerda combativa e militante que aposta no socialismo?

Debateremos a fundo tudo isto na Escola de Verão da Esquerda Revolucionária que iremos realizar nos dias 10, 11 e 12 de julho no Espaço Rosa Luxemburgo em Madrid, aberta a todos e todas que lutamos por derrubar este sistema, que dedicamos os nossos esforços e inteligência a construir uma alternativa comunista sem arrogância doutrinária, sem sectarismos, querendo conhecer e aprender com o movimento vivo da nossa classe. 

Desde Lisboa viajaremos uma série de militantes da seção portuguesa numa carrinha com capacidade para levar mais pessoas interessadas. Também será possivel assistir online através do Zoom. Convidamo-vos a participar nestes três dias de debate e convivência fraternal entre revolucionários e revolucionárias, jovens e trabalhadores que queremos tomar o céu de assalto. Enviem-nos mensagem!

Sim, a revolução é possível hoje, mas é preciso prepará-la conscientemente, com militância, organização e um programa estratégico.

 

PROGRAMA

Sexta-feira 10 de julho

Perspetivas para a China - Uma análise marxista de um fenómeno sem precedentes

(16h-20h Estado espanhol // 15h-19h Portugal continental)

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Colonialismo e revolução: a formação do PCC, a insurreição de Xangai e o levantamento de Cantão • Guerra camponesa e mudança de estratégia: Mao e Stalin • A invasão japonesa e a Segunda Guerra Mundial • A vitória de 1949 e a construção do socialismo na China • O grande salto em frente e a revolução cultural • Crise e abertura ao mercado mundial • O colapso da URSS e o levantamento da Praça Tiananmen • O programa de reformas económicas: deslocalizações e investimentos ocidentais • Um exemplo acabado de desenvolvimento desigual e combinado • Socialismo de mercado ou capitalismo de Estado? • O desenvolvimento das forças produtivas e da tecnologia. Desglobalização ou domínio chinês das cadeias de valor nesta fase histórica? • Uma superpotência que disputa a hegemonia mundial • Contradições económicas e sociais na China. O futuro não está escrito.

Sábado 11 de julho

Guerra imperialista e ascensão do fascismo

(10h-14h Estado espanhol // 09h-13h Portugal continental)

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Genocídio sionista e limpeza étnica em Gaza, neocolonialismo trumpista e resistência palestiniana • A agressão imperialista contra o Irão e a derrota de Washington • China e Rússia: um bloco imperialista ou aliados dos povos oprimidos? • A guerra na Ucrânia e a derrota da NATO • O choque energético e as suas consequências: as possibilidades de uma recessão global • O avanço da extrema-direita e a crise do parlamentarismo: bonapartismo no século XXI • Lições da História: “social-fascismo” e Frentes Populares VS Frente Única leninista • A social-democracia pavimenta o caminho à extrema-direita: por uma estratégia revolucionária e socialista.

A direita prepara o assalto ao poder. A luta de classes no Estado espanhol e a política revolucionária

(16h-20h Estado espanhol // 15h-19h Portugal continental)

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O Governo de Pedro Sánchez, desde a coligação com o Podemos até à atualidade: reformismo sem reformas e colaboração de classes • O regime de 78 e as suas derivadas: um aparelho de Estado cheio de fascistas e um poder económico que domina com mão de ferro • A esquerda reformista 2.0 e a sua assimilação institucional • O debate sobre a unidade da esquerda. O importante é o mediático ou é necessário ir além? • As eleições na Andaluzia • O crescimento eleitoral do Vox: chaves ideológicas e sociais da polarização • A questão nacional e a esquerda soberanista • Movimentos que rompem a paz social: a revolta dos professores, as greves do setor metalúrgico e o que nos ensinam • A juventude é de direita? Como respondeu o movimento estudantil antifascista • Perspetivas para uma mudança de ciclo eleitoral. A posição dos comunistas revolucionários perante um possível triunfo da direita • Organização e militância. Precisamos construir uma ferramenta poderosa para a luta de classes e a revolução.

Domingo 12 de julho

Revolução e contrarrevolução na América Latina

(09h30-13h30 Estado espanhol // 08h30-12h30 Portugal continental)

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A luta pela hegemonia e a sua repercussão na América Latina • Da revolução bolivariana ao sequestro de Nicolás Maduro. O que está a acontecer na Venezuela? • Chile. Debate entre marxistas: assembleia constituinte livre e soberana ou poder operário • Argentina, do kirchnerismo à vitória de Milei: o avanço da esquerda revolucionária e os desafios do momento • Insurreição operária e camponesa na Bolívia • México e a experiência da esquerda reformista no Governo • Cuba perante o bloqueio criminoso do imperialismo estado-unidense • Luta de classes sob a Administração Trump: o ICE, as greves de Minneapolis, No Kings, e as perspetivas para um partido independente da classe trabalhadora.

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