×

Alerta

JUser: :_load: Não foi possível carregar o utilizador com o ID: 720


No passado dia 30 de abril, 175 ativistas da Global Sumud Flotilla foram assaltados e detidos em águas internacionais pelo exército de Israel. O Estado sionista, responsável por um genocídio terrorífico e agora pelo bloqueio que semeou uma fome mortífera na Faixa de Gaza, considera crime levar ajuda humanitária ao povo de Gaza e age em conformidade, atacando 22 embarcações a mais de 1000 quilómetros de distância.

Esta detenção teria sido impossível sem a colaboração e a cumplicidade do Governo grego e da União Europeia. Os detidos foram conduzidos para a ilha de Creta para serem devolvidos aos seus países de origem, como confirmaram as próprias autoridades gregas, que em todo o momento atuaram coordenadas com as de Telavive.

img
No passado dia 30 de abril, 175 ativistas da Global Sumud Flotilla foram assaltados em águas internacionais pelo exército de Israel. Uma detenção impossível sem a colaboração e a cumplicidade do Governo grego e da UE.

Mas o mais grave é que o Estado sionista mantém sequestrados Thiago Ávila e Saif Abukeshek na prisão de Shikma, em Ascalão, a norte da Faixa de Gaza. Desde o momento da sua detenção, Thiago e Saif foram submetidos a tratamento degradante e a tortura, como puderam confirmar os funcionários consulares brasileiros e espanhóis que os visitaram. Saif foi algemado, vendado e “arrastado pelo chão de barriga para baixo e brutalmente espancado por soldados da marinha israelita até ao ponto de perder a consciência em duas ocasiões”, como denunciam as suas advogadas. Ambos foram agredidos e isolados, pelo que iniciaram uma greve de fome. Desde a Esquerda Revolucionária e o Sindicato de Estudantes, queremos expressar toda a nossa solidariedade a Thiago e Saif, e exigimos a sua libertação imediata e incondicional.

O que o sionismo está a fazer, com o pretexto de acusações inventadas de terrorismo, é usar estes dois ativistas para intimidar o mundo inteiro, a toda a classe trabalhadora e à juventude que se mobilizou em solidariedade com o povo palestiniano.

Entretanto, os governos europeus e a “comunidade internacional” limitam-se, no melhor dos casos, como acontece com o Governo de Pedro Sánchez, a condenar a atuação do Estado sionista, mas sem tomar qualquer medida efetiva.

A situação em que Saif se encontra é especialmente grave porque, como assinalaram vários especialistas em direito internacional, as autoridades israelitas —violando mais uma vez qualquer tipo de legalidade— poderiam desconsiderar a sua nacionalidade espanhola e usar o facto de ter nascido num campo de refugiados da Cisjordânia para lhe aplicar a legislação racista israelita, que agrava as penas para a população de origem palestiniana. Por isso, as condenações diplomáticas não bastam e são necessárias medidas que “façam Israel sentir as consequências dos seus atos”.

Os comunicados oficiais omitem o essencial: a flotilha foi intercetada com a cumplicidade da União Europeia, a mesma que não move um dedo para travar o genocídio na Palestina e que se recusa a romper todos os acordos económicos, políticos e militares com o Estado genocida de Israel.

Pedro Sánchez e o governo espanhol têm a responsabilidade de enfrentar esta situação e impedir que a impunidade do regime assassino de Netanyahu continue. Basta de duplo discurso e de palavras que não levam a nada! Não se podem fazer declarações a pedir à UE a rutura de relações e, ao mesmo tempo, continuar a mantê-las, permitindo que as grandes empresas e bancos espanhóis façam negócios com as empresas e o regime sionista, e que o próprio Estado continue a vender-lhe e a comprar-lhe armas e tecnologia militar.

O genocídio continua

Não passa despercebido a ninguém que, se Israel faz isto em plena luz do dia e publicamente com dois cidadãos estrangeiros que apenas demonstraram a sua solidariedade, o que não fará contra a população palestiniana e libanesa no dia a dia?

img
O sionismo e o imperialismo norte-americano atuam de forma criminosa, e nenhum governo capitalista move um dedo para os travar. O povo palestiniano e o libanês só podem contar com o apoio da classe trabalhadora e da juventude mundial.

A 30 de dezembro, Israel proibiu 37 ONG de operarem em Gaza e na Cisjordânia, o que agravou ainda mais a situação de fome de uma população martirizada. Por outro lado, o Ministério da Saúde de Gaza registou 630 assassínios de palestinianos às mãos das forças armadas israelitas desde a assinatura do cessar-fogo: 202 crianças, 89 mulheres e 339 homens. E tudo isto ocorre ao abrigo de um suposto “plano de paz” e depois de o parlamento sionista ter votado a favor da anexação da Cisjordânia, enquanto bandos armados de colonos fascistas, juntamente com o exército israelita, impõem esta política a sangue e fogo, assassinando e atacando diariamente a população palestiniana para a despojar das suas terras.

Estas políticas fazem parte do mesmo projeto supremacista e genocida: o Grande Israel, que também estão a tentar impor ao povo libanês, sujeitando-o a uma opressão e destruição selvagens. As forças armadas israelitas estão a seguir uma tática de terra queimada, apagando aldeias inteiras no sul desse país. Uma agressão colonialista que deslocou mais de 1,2 milhões de pessoas, obrigadas a fugir dos bombardeamentos sionistas. Apenas entre 1 e 9 de março ocorreram mais de 200 ataques de Israel no Líbano, que deixaram pelo menos 2.600 mortos e mais de 40.000 habitações e 200 centros de saúde destruídos.

A atuação criminosa do sionismo e do imperialismo norte-americano, e o facto de nenhum governo capitalista mover um dedo para os travar, demonstra que o povo palestiniano e o libanês só podem contar com o apoio e a solidariedade internacionalista da classe trabalhadora e da juventude mundial.

Libertação imediata e incondicional para Thiago Ávila e Saif Abukeshek!

Rutura total das relações militares, diplomáticas e económicas com Israel!