No passado dia 30 de abril, 175 ativistas da Global Sumud Flotilla foram assaltados e detidos em águas internacionais pelo exército de Israel. O Estado sionista, responsável por um genocídio terrorífico e agora pelo bloqueio que semeou uma fome mortífera na Faixa de Gaza, considera crime levar ajuda humanitária ao povo de Gaza e age em conformidade, atacando 22 embarcações a mais de 1000 quilómetros de distância.
Esta detenção teria sido impossível sem a colaboração e a cumplicidade do Governo grego e da União Europeia. Os detidos foram conduzidos para a ilha de Creta para serem devolvidos aos seus países de origem, como confirmaram as próprias autoridades gregas, que em todo o momento atuaram coordenadas com as de Telavive.

Mas o mais grave é que o Estado sionista mantém sequestrados Thiago Ávila e Saif Abukeshek na prisão de Shikma, em Ascalão, a norte da Faixa de Gaza. Desde o momento da sua detenção, Thiago e Saif foram submetidos a tratamento degradante e a tortura, como puderam confirmar os funcionários consulares brasileiros e espanhóis que os visitaram. Saif foi algemado, vendado e “arrastado pelo chão de barriga para baixo e brutalmente espancado por soldados da marinha israelita até ao ponto de perder a consciência em duas ocasiões”, como denunciam as suas advogadas. Ambos foram agredidos e isolados, pelo que iniciaram uma greve de fome. Desde a Esquerda Revolucionária e o Sindicato de Estudantes, queremos expressar toda a nossa solidariedade a Thiago e Saif, e exigimos a sua libertação imediata e incondicional.
O que o sionismo está a fazer, com o pretexto de acusações inventadas de terrorismo, é usar estes dois ativistas para intimidar o mundo inteiro, a toda a classe trabalhadora e à juventude que se mobilizou em solidariedade com o povo palestiniano.
Entretanto, os governos europeus e a “comunidade internacional” limitam-se, no melhor dos casos, como acontece com o Governo de Pedro Sánchez, a condenar a atuação do Estado sionista, mas sem tomar qualquer medida efetiva.
A situação em que Saif se encontra é especialmente grave porque, como assinalaram vários especialistas em direito internacional, as autoridades israelitas —violando mais uma vez qualquer tipo de legalidade— poderiam desconsiderar a sua nacionalidade espanhola e usar o facto de ter nascido num campo de refugiados da Cisjordânia para lhe aplicar a legislação racista israelita, que agrava as penas para a população de origem palestiniana. Por isso, as condenações diplomáticas não bastam e são necessárias medidas que “façam Israel sentir as consequências dos seus atos”.
Os comunicados oficiais omitem o essencial: a flotilha foi intercetada com a cumplicidade da União Europeia, a mesma que não move um dedo para travar o genocídio na Palestina e que se recusa a romper todos os acordos económicos, políticos e militares com o Estado genocida de Israel.
Pedro Sánchez e o governo espanhol têm a responsabilidade de enfrentar esta situação e impedir que a impunidade do regime assassino de Netanyahu continue. Basta de duplo discurso e de palavras que não levam a nada! Não se podem fazer declarações a pedir à UE a rutura de relações e, ao mesmo tempo, continuar a mantê-las, permitindo que as grandes empresas e bancos espanhóis façam negócios com as empresas e o regime sionista, e que o próprio Estado continue a vender-lhe e a comprar-lhe armas e tecnologia militar.
O genocídio continua
Não passa despercebido a ninguém que, se Israel faz isto em plena luz do dia e publicamente com dois cidadãos estrangeiros que apenas demonstraram a sua solidariedade, o que não fará contra a população palestiniana e libanesa no dia a dia?

A 30 de dezembro, Israel proibiu 37 ONG de operarem em Gaza e na Cisjordânia, o que agravou ainda mais a situação de fome de uma população martirizada. Por outro lado, o Ministério da Saúde de Gaza registou 630 assassínios de palestinianos às mãos das forças armadas israelitas desde a assinatura do cessar-fogo: 202 crianças, 89 mulheres e 339 homens. E tudo isto ocorre ao abrigo de um suposto “plano de paz” e depois de o parlamento sionista ter votado a favor da anexação da Cisjordânia, enquanto bandos armados de colonos fascistas, juntamente com o exército israelita, impõem esta política a sangue e fogo, assassinando e atacando diariamente a população palestiniana para a despojar das suas terras.
Estas políticas fazem parte do mesmo projeto supremacista e genocida: o Grande Israel, que também estão a tentar impor ao povo libanês, sujeitando-o a uma opressão e destruição selvagens. As forças armadas israelitas estão a seguir uma tática de terra queimada, apagando aldeias inteiras no sul desse país. Uma agressão colonialista que deslocou mais de 1,2 milhões de pessoas, obrigadas a fugir dos bombardeamentos sionistas. Apenas entre 1 e 9 de março ocorreram mais de 200 ataques de Israel no Líbano, que deixaram pelo menos 2.600 mortos e mais de 40.000 habitações e 200 centros de saúde destruídos.
A atuação criminosa do sionismo e do imperialismo norte-americano, e o facto de nenhum governo capitalista mover um dedo para os travar, demonstra que o povo palestiniano e o libanês só podem contar com o apoio e a solidariedade internacionalista da classe trabalhadora e da juventude mundial.
Libertação imediata e incondicional para Thiago Ávila e Saif Abukeshek!
Rutura total das relações militares, diplomáticas e económicas com Israel!









