A violência machista não pára de aumentar. Todas as semanas sucedem-se casos de agressões, abusos e violações contra mulheres e jovens. O caso mais recente de violação grupal de Loures, em que três jovens “influencers” entre os 17 e os 19 anos violaram uma jovem de 16 anos e fizeram streaming do ato é particularmente terrível e vergonhoso. Infelizmente, é mais um de uma longa lista dos ataques que vivemos diariamente.
Quando observamos os poucos casos de violência machista que vêm a público é muito claro porque é que, em primeiro lugar, muitos deles não são denunciados e, em segundo lugar, porque é que a grande maioria deles não resultam na condenação efetiva dos agressores. A razão é simples: cumplicidade da justiça.
O caso de Loures é paradigmático: um ato de violação e pornorgrafia de menores é filmado, difundido nas redes sociais e visto por milhares de pessoas. A vítima apresenta queixa e o que acontece aos três violadores? Saem em liberdade e continuam a assediar e atacar a vítima através das suas redes sociais.
É preciso repeti-lo: se o podem fazer é porque esta justiça machista e patriarcal assim o permitiu!
A presidente do Tribunal Judicial da comarca de Lisboa Norte, Sara Pina Cabral, que redigiu uma nota formal à comunicação social sobre o caso, é totalmente contraditória. Explica a juíza que o primeiro interrogatório aplica apenas as medidas de coacção de acordo com o “perigo de perturbação do decurso do inquérito ou da instrução do processo (...) ou, ainda, perigo, em razão da natureza e das circunstâncias do crime ou da personalidade do arguido, de que este continue a atividade criminosa ou perturbe gravemente a ordem e a tranquilidade públicas”.
O que constituem então as dezenas de stories, lives e publicações que estes energúmenos têm efetuado nas últimas semanas? Através das suas redes sociais com um alcance de milhares de seguidores, estes três parasitas — que não surpreendentemente vivem à custa de esquemas em pirâmide — continuam a culpabilizar a vítima e a efetuar a sua defesa “em praça pública” condicionando decisivamente todo o processo.
Lutar nas ruas contra a violência machista e a justiça patriarcal
Perante este cenário de uma justiça que absolve violadores e abusadores e culpabiliza as vítimas, violentando-as uma segunda (ou terceira) vez, é necessário organizarmo-nos, nós mulheres e jovens que sofremos estes ataques.
Precisamos de voltar às ruas, em primeiro lugar mostrando que acreditamos nesta jovem e em todas as mulheres e jovens que denunciam casos de abusos e violência machista. A Livres e Combativas solidariza-se com esta vítima e com todas as demais vítimas da violência machista, mas também da violência queerfóbica e racista, que tem estado a aumentar em Portugal. Com o avanço da extrema-direita a nível internacional e nacional, estes machistas medievais querem que voltemos ao lar, a cuidar dos filhos e a sermos submissas. Jamais! O movimento feminista e queer avançou bastante nos últimos anos e não voltaremos atrás!
A Livres e Combativas estará presente no próximo dia 5 de abril, sábado, às 15 horas, na Assembleia da República, em Lisboa. Apelamos a todas, todes e todos que se juntem a nós!
Prisão imediata para os violadores de Loures!
Abaixo a violência machista e a justiça patriarcal!
Junta-te à Livres e Combativas e Esquerda Revolucionária!